Encontro realizado em São Paulo reuniu lideranças do setor automotivo para analisar tendências, desafios e perspectivas dos veículos eletrificados no mercado de seminovos brasileiro

A eletrificação automotiva e seus reflexos no mercado de seminovos estiveram no centro dos debates do 1º Executive Breakfast, evento promovido pela Indicata Brasil, no dia 12 de maio, no hotel Meliá Iguatemi, em São Paulo.
O encontro reuniu lideranças da Arval, Open Mind Brasil, BYD e da Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores para discutir tendências, desafios e os impactos da transição energética no mercado de veículos usados e seminovos.
O público foi composto por executivos de montadoras, locadoras, consultorias, grupos de concessionárias e representantes da mídia especializada. Paula Rodrigues, diretora de Operações da AIAFA Brasil, também participou do encontro, representando a Associação.
Na abertura do evento, Marcelo Barros, country manager da Autorola Brasil, e Edwin Acosta, head of Fleet Owners global do Indicata, apresentaram a sinergia entre as soluções do grupo dinamarquês Autorola, especializado em tecnologia para o mercado de seminovos e com presença em 24 países.
Debate sobre eletrificação e seminovos
Com mediação de Maurício Ogata, Operations & Business Intelligence manager do Indicata Brasil, os painelistas analisaram os impactos da eletrificação.
Maurício apresentou dados que mostram o crescimento acelerado da participação dos veículos eletrificados nas vendas, embora sua presença no mercado de usados ainda seja incipiente, por se tratarem de modelos relativamente novos no Brasil.
No entanto, o Price Index do Indicata já aponta uma valorização dos carros híbridos superior à dos modelos flex, além de uma apreciação ainda mais significativa dos veículos BEV.
Lorena Castaldelli, Remarketing & Procurement manager da Arval BNP Paribas, destacou que o Brasil vive o privilégio de acompanhar a segunda onda da eletrificação, com modelos pertencentes a uma geração mais moderna de veículos eletrificados, desenvolvida a partir de 2020.
Lorena observou que, diferentemente do Brasil, o mercado europeu acumulou uma longa experiência com veículos eletrificados de primeira geração, equipados com baterias de menor confiabilidade e vida útil mais limitada. Segundo ela, esse histórico contribuiu para uma percepção negativa sobre esses modelos na Europa, impactando de forma significativa seus valores de revenda e, consequentemente, os valores residuais.
Felipe Pessoa, vice-presidente do Carbel Auto Group e membro da Open Mind Brasil, salientou que a operação de seminovos no Brasil pode ser mais profissionalizada. Segundo ele, esse avanço depende de um maior acesso a dados de mercado e da concorrência, permitindo às empresas ajustar suas operações às dinâmicas do setor.

Sobre a migração do parque circulante brasileiro rumo aos eletrificados, Felipe destacou que a frota brasileira tem idade média elevada e, por isso, essa transição tende a ocorrer de forma lenta. Além disso, afirma, as montadoras tradicionais já sentem o forte avanço das novas fabricantes chinesas e começam a reagir com o lançamento de novos modelos e tecnologias.
Juliano Cheng, gerente de Produtos da BYD Brasil, destacou que o custo por km rodado dos carros elétricos é extremamente competitivo quando comparado aos diferentes tipos de propulsão, fator que, segundo ele, tem atraído compradores focados em reduzir o TCO.
Segundo Juliano, a elevada confiabilidade dos sistemas de recarga e a longa vida útil das baterias atuais demonstram que os veículos elétricos já competem em condições de igualdade com outras opções do mercado. Ele ressaltou ainda que a bateria Blade Battery da BYD, que passará a equipar os modelos da marca, oferece autonomias superiores a 500 km.
Questionado sobre o futuro da marca no segmento de vendas diretas, Juliano afirmou que esse movimento “será uma evolução natural”, diante da liderança alcançada pela fabricante no varejo com os modelos de entrada ao longo de 2026.
José Éverton Fernandes, presidente da Fenauto, afirmou que, embora os eletrificados representem menos de 1% do mercado de seminovos no Brasil, o impacto desses modelos já influencia todo o setor, ao alterar a forma como os compradores avaliam as opções disponíveis no mercado.
Segundo Éverton, a experiência de mais de 48 mil lojistas brasileiros demonstra que o segmento já percebe a atratividade dos veículos eletrificados para uma parcela significativa dos clientes, fator que contribui para avaliações mais favoráveis desses modelos nas negociações.

Soluções e inteligência de mercado
Finalizando o evento, o time do Indicata Brasil apresentou os três principais produtos do Portfólio Indicata, presente em 15 países:
Indicata Pro: Lucio Groch, head comercial do Indicata Brasil para o Varejo, mostrou como o Indicata Pro permite que montadoras, concessionárias e varejistas utilizem precificação dinâmica baseada na velocidade de vendas em tempo real. Segundo ele, a tecnologia contribui para maximizar a receita das operações de seminovos, com potencial de incremento de milhões de reais em faturamento para varejistas automotivos.
Indicata Market Tracker: Rodrigo Manzan, head comercial do Indicata Brasil para Frotas, mostrou como os milhões de parâmetros acumulados mensalmente pelo Indicata podem ser visualizados de forma interativa e simplificada, por meio de indicadores de preços, market share, nível de estoques e giro de mercado (MDS).
Indicata Residual Value Forecast: Rodrigo também explicou como o Indicata projeta valores residuais futuros por meio de inteligência artificial, com acuracidade de 95% em testes realizados em 14 países europeus. Segundo ele, a solução já se tornou uma ferramenta estratégica para o planejamento de montadoras e locadoras. Por ser a única tecnologia do mundo com certificação IFRS-13, a metodologia Indicata também pode embasar avaliações de empresas auditadas e de capital aberto em âmbito global.
O evento foi encerrado com um café da manhã de networking entre os líderes presentes.
Fotos: Indicata/Divulgação

