Mobilidade Sustentável

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Por que o gestor de frotas precisa olhar para as cidades

Novas demandas de mobilidade urbana sustentável começam a influenciar as decisões sobre as frotas corporativas

 Martí Petit/Ajuntament de Barcelona

Administrar uma frota exige cada vez mais atenção ao que acontece do lado de fora da organização. Em algumas cidades, as restrições à circulação de veículos afetam a operação, enquanto a melhoria do transporte público amplia as possibilidades de deslocamento dos trabalhadores. E esses fatores já influenciam as decisões dos gestores de frota e de mobilidade.

Para as empresas, essas mudanças urbanas têm reflexos diretos na operação e acompanhá-las faz parte das atribuições da gestão de frotas.

Quando a cidade amplia as alternativas à frota

Rodrigo Accioli, executivo de Facilities e Mobilidade, aponta que as características de algumas cidades afetam a operação e as estratégias de mobilidade sustentável das empresas. A melhoria do transporte público, por exemplo, permite avaliar outras formas de atender a determinados deslocamentos, sem recorrer sempre aos veículos da frota.

Os compromissos ambientais, combinados às condições de cada cidade, também podem favorecer a eletrificação da frota e outras soluções de mobilidade. Segundo Accioli, nem sempre essas iniciativas se justificam pelo retorno financeiro imediato. Em grandes corporações, metas estabelecidas pelas matrizes podem viabilizar projetos que dificilmente avançariam apenas pelo critério financeiro. Depois de implementadas, essas soluções podem revelar benefícios não previstos inicialmente.

Na prática, a escolha da solução mais adequada para cada deslocamento exige considerar fatores que às vezes não aparecem no cálculo direto do custo do veículo. Para Accioli, também devem pesar nessa decisão “o tempo, o custo, a disponibilidade do modal e a produtividade”.

Assim, a cidade entra na equação das decisões sobre a frota.

“Em cada deslocamento, é preciso avaliar o tempo, o custo, a disponibilidade e a produtividade”

Rodrigo Accioli

O impacto das cidades na gestão

Para entender o impacto das cidades na gestão, é preciso considerar a diferença entre a gestão de frotas, focada nos veículos, e a gestão da mobilidade corporativa, voltada aos deslocamentos dos colaboradores entre casa e trabalho.

1. Gestão de frotas

barcelona semaforoMariona Gil/Ajuntament de Barcelona

Na Europa, o impacto das mudanças urbanas já aparece de forma mais clara nas decisões sobre a frota. “As cidades estão legislando cada vez mais para restringir a circulação de veículos em determinadas áreas”, afirma Miquel Armora, coordenador de Formação e Mobilidade Corporativa da Asociación Española de Gestores de Flotas y de Movilidad (AEGFA).

Com o avanço das zonas de baixas emissões e a ampliação das ciclovias, as regras urbanas influenciam a composição da frota. “O gestor precisa disponibilizar ferramentas que permitam o correto desenvolvimento do trabalho”, comenta.

Barcelona é um exemplo de como essas transformações ganham forma nas cidades inteligentes. A ampliação das ciclovias, as restrições à circulação de veículos, a redução das vagas de estacionamento, a melhoria do transporte público e outras mudanças na organização da mobilidade urbana afetam as condições de operação das frotas corporativas e levam as empresas a acompanhar mais de perto esse cenário.

Nesse contexto, a escolha de veículos mais sustentáveis é determinante para garantir o acesso a determinadas áreas das cidades.

2. Mobilidade corporativa

As transformações urbanas trazem outra questão para as empresas: como os colaboradores chegam ao trabalho. “A mobilidade do futuro deve ser sustentável, eficiente e socialmente justa”, avalia Armora, o que implica garantir condições de acesso ao trabalho independentemente da disponibilidade de veículo próprio.

Miquel Armora

“A mobilidade do futuro deve ser sustentável, eficiente e socialmente justa”

Miquel Armora

As mudanças nas cidades podem afetar também a captação e retenção de talento pelas empresas. “Se o gestor não oferece à equipe alternativas ou facilidades para chegar ao trabalho, evidentemente, terá dificuldade para atrair ou manter um colaborador que enfrente problemas no deslocamento”, explica Armora.

Para colaboradores sem carro da empresa, Armora cita acordos ou aplicativos de car sharing entre a equipe, que ajudam a reduzir as emissões de CO₂ e os custos dos deslocamentos. “Quando a empresa lidera a oferta de alternativas de mobilidade, beneficia os colaboradores e a própria companhia”, ressalta o especialista.

Do veículo à pessoa

Em algumas organizações, o papel do gestor de frotas tende a incorporar atribuições de gestão da mobilidade. Como explica Armora, a gestão deixa de olhar apenas para o ativo e passa a considerar a mobilidade da pessoa. É um movimento acompanhado pela AEGFA, na Europa, e pela AIAFA, no Brasil.

Essa mudança de perspectiva aparece na gestão dos veículos oferecidos como benefício aos colaboradores. Nesse caso, a empresa pode avaliar se o carro continua sendo a solução mais adequada ou optar por alternativas como o orçamento de mobilidade (mobility budget), citado por Armora, que pode ser utilizado em diferentes meios de transporte.

Se, por um lado, a empresa pode oferecer um carro ou um orçamento de mobilidade como benefício, por outro, há atividades comerciais ou operacionais em que o veículo é uma ferramenta de trabalho indispensável.

Esse olhar além do veículo chega também à forma de calcular os custos. O custo total de mobilidade (TCM) amplia a perspectiva do custo total de propriedade (TCO), voltado ao veículo. “O gestor quer saber quanto uma pessoa gasta não apenas com o carro, mas com sua mobilidade. Essa é a diferença entre o TCO e o TCM”, resume Armora.

Escolhas para uma mobilidade sustentável

Nem todas as soluções mais sustentáveis se justificam pelo retorno financeiro imediato, como observa Accioli, mas podem revelar outros benefícios depois de implementadas. Para as empresas, essas escolhas estão cada vez mais relacionadas ao contexto urbano.

A relação entre as transformações das cidades e as novas demandas de mobilidade tem ganhado relevância para as empresas e estará em foco no Smart City Expo World Congress, que será realizado de 3 a 5 de novembro, em Barcelona. O evento reúne especialistas e organizações de diferentes países para debater a evolução das cidades inteligentes e soluções para os desafios relacionados à mobilidade sustentável.

curitiba busJosé Fernando Ogura/SMCS/Prefeitura de Curitiba

Para o gestor de frotas e de mobilidade, acompanhar esses debates e as transformações urbanas significa olhar para a cidade e entender melhor as condições em que a frota opera e as alternativas disponíveis para cada deslocamento. O veículo continua essencial em muitas operações, mas nem todo deslocamento profissional exige um carro da frota.

 

firma Liana

Liana Aguiar
Editora da revista AIAFANews

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