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Entrevistas

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“Temos um compromisso genuíno com a redução das emissões”

Nesta entrevista, Rodrigo Accioli, gerente-executivo de Infraestrutura e Sustentabilidade na Atlas Schindler, explica as ações da área de frotas da empresa em torno da sustentabilidade

As ações da Atlas Schindler em torno da sustentabilidade da frota começaram a partir de uma decisão estratégica que foi além de critérios estritamente econômicos. “Temos um compromisso genuíno com a redução de emissões”, aponta Rodrigo Accioli, gerente-executivo de Infraestrutura e Sustentabilidade da empresa.

Os avanços nessa frente já começam a receber reconhecimento interno e externo. Em 2025, a Atlas Schindler recebeu o Prêmio Frotas  da AIAFA Brasil na categoria Redução de Emissões pela combinação de diferentes soluções, como a incorporação gradual de veículos elétricos e híbridos plug-in e o uso crescente de etanol.


“Para além da eletrificação parcial já realizada e do atual foco nos veículos movidos a diesel, o uso do etanol foi uma contribuição-chave em nossa jornada”


Esse reconhecimento se insere no contexto da dimensão e da complexidade da operação do Grupo Schindler, que possui cerca de 60 mil colaboradores em mais de 100 países e uma frota global de 24 mil veículos. No Brasil, são cerca de 5 mil colaboradores e uma frota de aproximadamente mil veículos, composta por mais de 700 automóveis, mais de 200 utilitários comerciais leves e frota pesada.

Em entrevista à AIAFANews, Accioli relata como as ações da área de frotas se alinham à meta “Net Zero 2040”. Também detalha os critérios adotados na escolha de fornecedores e veículos e aconselha persistência a quem está começando na função de gestor de frotas.

Qual é a relação da gestão de frota e de mobilidade entre a Atlas Schindler no Brasil e a sede em Ebikon, na Suíça? Vocês têm autonomia para tomar decisões ou as políticas de gestão são comuns?

A relação com a área global de frotas do grupo é bem próxima. Essa visibilidade da unidade brasileira só é possível graças à gestão ativa que realizamos e reportamos, além das iniciativas que provocamos. Recentemente – não apenas pela jornada de redução das emissões de CO2 da frota brasileira –, recebemos um reconhecimento no programa “Direção Segura”. Os condutores são identificados via telemetria, instalada em 100% da frota operacional.

Além disso, premiamos mensalmente os melhores condutores de acordo com suas notas no sistema. A gestão de frota nacional tem independência para a tomada de decisões e segue política local própria, desde que respeitados os acordos e diretrizes globais. Mantemos proximidade com a gestão global, compartilhando as direções e decisões do Brasil, o que gera credibilidade e confiança.

Há 34 anos o senhor trabalha na empresa e desde 2004 atua na gestão dos imóveis e frota, entre outras responsabilidades da área. O que mudou na gestão da frota nesse período e que desafios tem encontrado?

Nessa jornada até aqui, posso destacar três pontos principais. Primeiro: tecnologia na gestão de condutores e telemetria, proporcionando melhorias no tratamento de multas e no uso adequado da frota. Dada a capilaridade nacional, a gestão foca na complexidade do uso por múltiplos condutores em parte da operação.

Segundo ponto: qualificações para a tomada de decisão. Seja na escolha de modelos ou de fornecedores, utilizamos um scorecard qualitativo, independentemente de preços. Para comparar veículos, analisamos informações do Inmetro e Latin NCAP, como desempenho de segurança em colisões, consumo de combustível e emissão de CO2. Para escolher fornecedores, avaliamos desde a plataforma de gestão e atendimento operacional/comercial até a estrutura da rede disponível.

E terceiro ponto: convergência de atendimento e informação para clientes internos. Asseguramos que condutores e gestores sejam atendidos não apenas pelos canais dos fornecedores, mas também por meios exclusivos, como telefone, WhatsApp, e-mail e intranet. Em paralelo, trabalhamos com outras áreas no desenvolvimento de um Business Intelligence (BI) interno para consolidar a visão estratégica da frota, integrando dados de diversas fontes: locadoras (locação, multas, manutenção, sinistros e devolução), telemetria, pedágio e abastecimento.

Em 2025, a Atlas Schindler recebeu o Prêmio Frotas da AIAFA Brasil na categoria Redução de Emissões, graças à incorporação de veículos elétricos, híbridos plug-in e ao uso crescente de etanol, em linha com a meta “Net Zero 2040”. Quais foram os fatores que permitiram reduzir as emissões da frota corporativa?

Acredito que o fato de os debates internos para utilizar biocombustível na frota brasileira em 2021/2022 terem sido considerados e aprovados, independentemente da viabilidade financeira – ou seja, genuinamente com foco na redução de CO2. Isso gerou um engajamento enorme não só do meu time de frota, mas também da gestão e dos condutores. Para além da eletrificação parcial já realizada e do atual foco nos veículos movidos a diesel, a utilização do etanol disponível no País foi, de fato, uma contribuição-chave em nossa jornada.

A empresa já havia sido premiada na mesma categoria em 2022 por outra iniciativa na área. É possível afirmar que a mobilidade sustentável se consolidou como um pilar estratégico da gestão de frotas da Atlas Schindler?

Certamente. As ações e conquistas anteriores só fortaleceram e geraram ainda mais credibilidade para a área. Agora nosso foco está concentrado nas soluções para os poucos veículos a diesel que temos. As ações estão organizadas, com metas estabelecidas e alinhadas, considerando o mais novo valor da companhia: sustentabilidade, formalmente incluído no rol dos cinco já existentes, que são criação de valor para o cliente, compromisso com o desenvolvimento das pessoas, integridade e confiança, qualidade e segurança.


“As ações da área de frotas estão organizadas, com metas estabelecidas e alinhadas, tendo em vista ainda o mais novo valor da companhia: sustentabilidade”


Além do etanol, a Atlas Schindler avalia ou já utiliza outros combustíveis alternativos, como o gás natural veicular?

Já utilizamos o GNV em nossa frota nacional. Contudo, com a estratégia de otimização baseada em veículos compactos, essa opção deixou de ser viável para nós.

A frota é própria, terceirizada ou mista?

Nossa frota nacional é predominantemente locada, apenas poucos veículos muito específicos são próprios. Antes de cada renovação anual, realizamos um estudo comparativo entre locação e compra junto às áreas Financeira e de Suprimentos. Por ora, a locação tem se mostrado a opção mais viável, mas seguimos monitorando os custos de devolução, que são críticos nessa modalidade.

Quais são os modelos predominantes na frota? O que a política de frotas da empresa orienta na hora de escolher um veículo ou marca?

A escolha de fornecedores e veículos baseia-se em um scorecard qualitativo. Utilizamos métricas do Inmetro e Latin NCAP para comparar segurança, consumo e emissões de CO2. Como resultado dessas análises e das negociações da área de Suprimentos, priorizamos veículos compactos, a exemplo do Renault Kwid.

Possuem veículos eletrificados na frota?

Sim, atualmente a frota contabiliza dez veículos elétricos, com mais seis encomendados. Além disso, temos dois veículos híbridos e outros dois encomendados. Nossa taxa de eletrificação reflete o foco atual no uso de biocombustíveis – solução que o Inmetro classifica como zero emissão de CO2. Priorizamos essa alternativa por ser o investimento mais eficiente para reduções imediatas, em detrimento da eletrificação em larga escala no momento.

A empresa utiliza soluções de telemetria na gestão da frota? Quais ganhos essa tecnologia tem gerado?

A tecnologia de identificação de condutores e telemetria está integralmente implantada em nossa frota operacional desde 2021. Esse marco permitiu a transição para uma gestão de frota integrada à operação. A adoção dessas ferramentas resultou na redução direta de infrações e consumo de combustível, além de otimizar os custos de manutenção e sinistralidade devido ao melhor comportamento dos condutores. Adicionalmente, o programa “Direção Segura” reforça nosso valor de segurança, premiando os melhores motoristas. A ferramenta também é utilizada de forma reativa na análise de ocorrências, apoiando nossas ações contínuas de direção defensiva.

A Atlas Schindler pretende incorporar Inteligência Artificial à gestão de frotas?

Sim, temos essa intenção. Contudo, nosso foco atual é consolidar os dados dos diversos fornecedores para garantir que as informações estejam completas e integradas. Uma vez atingida essa maturidade de dados, utilizaremos a IA para elevar a eficiência da gestão.

Olhando para os próximos anos, quais inovações ou tendências em mobilidade corporativa a empresa avalia incorporar para avançar na agenda de descarbonização e eficiência da frota?

Paralelamente à implementação de inovações, entendo que o principal desafio reside no engajamento dos condutores. Eles são fundamentais para alcançarmos melhores indicadores de segurança e controle de custos – desde o consumo de combustível, que impacta diretamente nas emissões de CO2, até gastos com manutenção, multas e avarias. A eficiência máxima não depende apenas da tecnologia ou dos veículos, mas também do comportamento no uso e consumo de combustível. Nesse cenário, os condutores são os verdadeiros agentes do sucesso.


“A eficiência máxima não depende apenas da tecnologia ou dos veículos, mas do comportamento dos condutores no uso e consumo de combustível”


Quais serão as tendências e os desafios para os gestores de frotas e de mobilidade para 2026? A que esses profissionais precisam ficar atentos?

Vejo que o foco em analisar os custos pré e pós-contratação será fundamental. Somado a isso, há o desafio de administrar o tempo entre operação e gestão, pois a dinâmica de operações capilarizadas e volumosas consome o tempo necessário para uma gestão ainda mais efetiva. Com análises detalhadas do histórico e das projeções, os resultados tendem a ser mais precisos, reduzindo o risco de surpresas.

O senhor poderia deixar algum conselho para quem está começando na área de frotas?

Explore profundamente as informações disponíveis. Caso você sinta falta de outros dados necessários, busque estas informações, seja com fornecedores ou internamente. Geralmente, o início ocorrerá com a contribuição em aspectos operacionais, o que será muito rico para entender como o dia a dia funciona e onde estão as oportunidades. Seja persistente. Insista. Busque. Jamais se conforme.

 

Fotos: Lienio Medeiros

 

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