Apesar do mercado interno aquecido, produção no primeiro bimestre recua, puxada pela queda das exportações

O mercado interno vem mostrando comportamento resiliente neste início de ano. Os emplacamentos somaram 355,7 mil unidades, repetindo o bom desempenho do primeiro bimestre de 2025, segundo levantamento da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).
Fevereiro foi um mês especialmente positivo para as vendas de veículos, registrando média diária de 10,3 mil unidades, acima das 8,1 mil de janeiro e das 9,2 mil de fevereiro de 2025. Trata-se da segunda melhor média para o mês dos últimos 10 anos.
O bom ritmo de vendas em fevereiro, no entanto, não foi suficiente para segurar o ritmo de produção no primeiro bimestre, fortemente impactada pelo recuo nas exportações.
A produção acumulada nos dois primeiros meses de 2026 foi de 338 mil veículos, recuo de 8,9% na comparação com o primeiro bimestre do ano passado.
No acumulado do primeiro bimestre, foram licenciados 340,1 mil veículos leves, contra 334 mil unidades vendidas no mesmo período de 2025.
O segmento de caminhões e ônibus, porém, ainda enfrenta dificuldades. No bimestre, as vendas caíram 29,4% frente os dois primeiros meses do ano passado. Apesar disso, os resultados de vendas de fevereiro apontam alguma melhora, com alta de 4,5% sobre janeiro.
A perspectiva de recuperação deve-se ao programa Move Brasil, de incentivo à renovação de frota por meio de taxas de financiamento reduzidas, cujos reflexos já começam a ser sentidos no segmento de caminhões. Mais de R$ 4 bilhões em financiamentos já foram liberados pelo BNDES no âmbito do programa, para troca de modelos antigos por seminovos ou 0 km.
Eletrificados nacionais avançam
Em fevereiro, 28.120 unidades de veículos leves híbridos e elétricos foram emplacadas no País, representando 15,9% do total. A produção nacional segue avançando: modelos fabricados no Brasil chegaram a 43% desse volume, maior participação na série histórica apurada pela Anfavea.
“O resultado dos investimentos em novas tecnologias e produtos é cada vez mais palpável. Temos desafios para manter nosso crescimento dos últimos anos, e o mais novo deles é a guerra no Oriente Médio, que pode ter impactos macroeconômicos e logísticos. Porém, de nossa parte, acreditamos na resiliência da cadeia automotiva brasileira e na firme intenção dos nossos associados de continuar investindo no País”, disse o presidente da Anfavea, Igor Calvet.


