Entrevistas

Directorio AEGFA

"Tecnologia é a palavra-chave da gestão de frotas"

Entrevista com: Gabriela Siqueira da Silva, Gestora de frota da LongPing High-Tech.

A gestão de frotas e de mobilidade deve acompanhar os avanços tecnológicos. Nesse sentido, a LongPing High-Tech tem buscado mais inovação, automação e confiabilidade dos dados, segundo a gestora de frota Gabriela Siqueira da Silva.

Fundada na China e presente em oito países, a LongPing chegou ao Brasil em 2017 e tem sede global em Cravinhos (SP). A empresa conta com cerca de 2.000 colaboradores no Brasil e atua no mercado de sementes com suas três marcas – Morgan, Forseed e Tevo –, comercializadas em todo o território nacional.

Da frota de 409 veículos no Brasil, 98% são picapes 4x4. E um dos desafios da área de frotas é justamente avançar para uma mobilidade mais sustentável, por isso adotam iniciativas para compensar as emissões e planificam mudanças para um futuro próximo. “Nossa demanda é o agronegócio, e os carros elétricos ainda não atendem as particularidades da operação de campo, mas temos um projeto forte para 2024”, sinaliza a gestora. Veja este e outros assuntos na entrevista que Gabriela concedeu à AIAFANews.

Entrevista com Gabriela Siqueira da Silva 2

Quais são os principais desafios da área de frotas da LongPing?

Hoje nosso maior desafio é o processo de conscientização da condução segura. Infelizmente, por vícios de dirigibilidade e até mesmo a inexperiência de condutores recém-formados, muitas vezes precisamos “convencê-los” a dirigir com segurança. Temos um programa interno chamado Condutor Seguro, pelo qual conseguimos (por meio de telemetria, medição de multas e sinistros preveníveis) identificar o comportamento dos condutores e trabalhar de forma estratégica, com treinamentos personalizados.

Há quantos anos a senhora trabalha na LongPing?

Desde outubro de 2020. A princípio minha função era voltada para facilities. Em maio de 2021, Adriana Lançoni, gerente nacional administrativo e facilities, me entregou a missão de ajudá-la na gestão da frota, na época com apenas 78 veículos. Confesso que fiquei com medo de não conseguir contribuir, pois minha experiência até então era com administrativo e financeiro. Mas sempre fui apaixonada por carros. Caçula de quatro irmãos homens, pensa! Não tinha outro assunto em casa. Abracei a oportunidade, entrei de cabeça nesse mundo da gestão de frotas e hoje não me vejo fazendo nada diferente disso. Agora 100% do meu tempo é dedicado à gestão de frota.

A frota é própria ou terceirizada? Por que a companhia adotou esse modelo de aquisição?

Temos atualmente cinco veículos próprios. O restante é terceirizado. Um dos motivos é que nosso time é bem enxuto, e uma frota própria demandaria uma equipe maior. Outro ponto seriam as demandas com documentações, desmobilizações, compra e venda. Acompanhando eventos como os da AIAFA, entendemos que frota própria vai na contramão do mercado, e para nossa demanda não havia necessidade de ser própria, pois não temos equipamentos especiais como outras empresas que optam por essa modalidade.

Entrevista com Gabriela Siqueira da Silva 3

Quais as vantagens da frota terceirizada?

Visamos otimizar e diminuir custos e tempo com burocracia. Dessa forma, todo o processo oneroso e trabalhoso para adquirir o veículo, como licenciamento e emplacamento, é inexistente para nós, sendo de total responsabilidade legal da locadora. A quantidade de tarefas envolvidas na gestão de uma frota para agronegócio tende a ser bem alta. Mesmo o melhor profissional pode ter dificuldade para administrar um número grande de veículos, a distribuição de entregas e todos os procedimentos de manutenção envolvidos no dia a dia, algo que só se complica com o crescimento da companhia. Ao contarmos com uma frota terceirizada, conseguimos diminuir um pouco essa carga, pois a locadora fica responsável por parte das tarefas, principalmente aquelas relacionadas à manutenção e reparo de veículos. Assim, podemos focar na melhor gestão e na otimização das rotinas. Temos mais autonomia e facilidade para controlar nossa frota e tomar melhores decisões.

A que serviços os veículos da empresa estão destinados?

A frota é dividida entre produção de campo, desenvolvimento de produto, vendas, marketing, diretoria e presidência. Diariamente os nossos funcionários se deslocam entre as sedes e campos de produção.

Quais são as marcas e modelos predominantes na frota? Quais os critérios na hora de escolher os veículos?

Chevrolet S10 LTZ e S10 CD LS, Fiat Toro Volcano, RAM 3.500, Toyota SW4 e Corolla, Volkswagen Nivus e Honda Civic. Optamos por veículos que tenham classificação acima de quatro estrelas na Latin Ncap e por montadoras que tenham concessionárias e autorizadas nas regiões mais difíceis da operação. Visamos sempre a segurança do condutor e a manutenção fiel de todos os veículos.

A segurança é um dos valores da LongPing, e a área de frotas está bastante alinhada com esse assunto. Como a tecnologia tem ajudado sua empresa a manter uma frota segura?

Tecnologia é a palavra-chave na gestão de frotas na LongPing. Todas as ações buscam cada dia mais a inovação, a automação e a confiabilidade dos dados. O objetivo dentro da companhia é possuir um sistema de gestão de frota que atenda todas as áreas, tendo em vista que a maioria das áreas e unidades operacionais possui veículos fixos por condutores e alguns compartilhados.

Foi a partir desse objetivo que iniciamos nossa especialização e entramos no mercado de gestão de frota com a finalidade de buscar as melhores soluções tecnológicas que possibilitassem a gestão do comportamento e a segurança do condutor, seja em telemetria e até mesmo com treinamentos teóricos e práticos personalizados para a nossa operação. O nosso foco sempre foi o cuidado e a preservação da vida dos nossos condutores.

Entrevista com Gabriela Siqueira da Silva 4

O monitoramento da condução mudou o comportamento de risco de alguns condutores?

Com certeza. Não só implantamos a telemetria como a disponibilizamos aos condutores para que eles sejam os maiores parceiros da gestão de frota. É um aplicativo no qual o próprio condutor acompanha seu comportamento em tempo real, além de ter em mãos informações como rotas e quilometragem percorridas, infrações cometidas, velocidade da via, velocidade média e máxima, tempo de uso, entre outros. Desse modo, conseguimos transparência na comunicação interna, facilidade de feedback, consumo responsável de combustível, engajamento da equipe, melhores práticas de gestão de frota, fortalecimento da cultura de segurança e, acima de tudo, a valorização da vida dos condutores.

Eles diminuíram significativamente o consumo de combustível, pois passaram a andar na velocidade da via e, consequentemente, aumentaram o desempenho do veículo (km/litro). Tivemos uma economia de 29% no consumo de combustível em relação ao ano anterior. Claro que temos resistência por parte de alguns condutores, mas é como sempre falamos por aqui: a vida de cada um é inegociável para nós. Queremos chegar ao topo, mas que isso não custe a vida de ninguém!

Que medidas a política de frotas contempla para uma mobilidade mais sustentável?

Sempre orientamos nossos condutores a utilizarem etanol em veículos flex, apesar dessa categoria ser mínima na companhia. Em 2020, automatizamos todos os termos de ciência, autorização e utilização dos veículos para extinguir a prática do uso de papel. Adquirimos veículos que chamamos de pools para que funcionários utilizem o mesmo carro em deslocamento entre as unidades por meio do aplicativo de caronas.

Como nosso modelo de operação ainda dificulta o uso do etanol na frota inteira, optamos por outros meios de compensação, como o plantio de árvores em nossas unidades pelo Brasil, mas entendemos que apenas isso não é suficiente. Conseguimos extrair relatório de emissão de CO2 em nossa plataforma de gestão de combustível e, a partir dele, serão aplicadas ações significativas em favor da sustentabilidade para 2024.

A mobilidade tem ampliado as atribuições dos gestores de frotas. Já existem essas novas funções na LongPing? Elas foram designadas para a área de gestão de frotas?

A área de facilities, onde a gestão de frota fica alocada, também é responsável pela mobilidade. Tentamos ao máximo trazer conveniência aos colaboradores e redução de custos para a companhia. Dependendo da unidade, temos um leque de opções das quais se dispõem em fretados próximo as residências dos colaboradores, assim como em hotéis para quem estiver viajando, Uber, veículos pools, disponibilização de caronas, táxi corporativo e locação de veículos. A ideia é que essas opções sejam unificadas em um aplicativo que está sendo desenvolvido internamente para que os colaboradores façam a melhor escolha para a sua demanda.

A senhora acredita que incorporar a mobilidade nas atribuições dos gestores de frotas vai proporcionar crescimento profissional e mais reconhecimento interno?

Acho interessante que o gestor de frotas tenha contato com a gestão de mobilidade e que toda forma de locomoção seja centralizada em um único departamento. Assim é possível conseguir uma visão ampla de todas as utilizações e indicadores para termos a melhor opção para cada usuário. A LongPing é adepta da evolução tecnológica, e a gestão de mobilidade tem se mostrado cada vez mais atualizada dentro da companhia.

Quais os desafios para que tenhamos mais mulheres coordenando a área de gestão de frotas e de mobilidade das empresas?

A Organização Internacional do Trabalho indicou que empresas brasileiras com mulheres em postos de liderança têm melhor desempenho do mercado e lucros de 5% a 20% maiores. Dados como esses provam que elas estão mais do que aptas a ocupar funções tradicionalmente associadas ao sexo masculino, como a gestão de frota. É por isso que há cada vez mais gestoras de frota no mercado. Nosso setor ainda é majoritariamente masculino, mas acho que essa realidade está cada vez mais próxima de mudar completamente. Acredito que o maior desafio seja quebrar esse paradigma e que mais mulheres tenham a oportunidade de conhecer e se interessar por esse mundo que eu, particularmente, sou apaixonada.

Entrevista com Gabriela Siqueira da Silva 5

Na sua opinião, quais são os desafios dos gestores de frotas e de mobilidade para 2024?

É manter o nível da gestão maior que as suas expectativas, pois se tem uma coisa na qual podemos interferir diretamente é na gestão das nossas frotas. Muito mais do que lidar com inflação, preços altos ou economia, enfrentamos desafios relativos, pois cada frota é gerida de maneira única conforme sua demanda. A cada ano, há um novo foco e novas metas, então é neste momento que as dificuldades aparecem. Por exemplo, se em determinado ano a companhia tem como foco aumentar a eficiência e segurança da sua frota, algumas movimentações precisam ser feitas. E é papel do gestor de frotas analisar todo o cenário e entender como ele pode auxiliar os seus clientes internos a estarem sempre dentro das metas dos KPIs, mas, acima de tudo, em segurança. Então ele deixa de ficar focado apenas na gestão de frotas e direciona os esforços para todo o negócio.

No ano passado, a LongPing ganhou o Prêmio Frotas da AIAFA Brasil na categoria Gestão Eficiente. Que conselhos a senhora daria a colegas do setor para uma gestão eficiente da frota?

Ficamos extremamente felizes em concorrer e ganhar esse prêmio. Foi um marco na minha carreira, que só está começando, e o primeiro prêmio da LongPing voltado para a gestão de frota. Nada disso seria possível se não tivesse o apoio e a confiança da minha liderança em entregar o bem mais precioso da companhia em minhas mãos, a vida dos nossos condutores! Entendemos que precisamos melhorar muito, pois a gestão de frota tem possibilidades infinitas, mas estamos no caminho certo.

O meu maior conselho é que tenham sempre a vida e a segurança dos condutores como prioridade acima de custos, mantendo-os atualizados quanto a treinamentos e conscientização, não deixando para falar de segurança e dirigibilidade apenas na adesão do veículo ou no Maio Amarelo. Diante disso, acredito que o saving será uma consequência.

Mantenham-se atualizados, procurem as melhores soluções e ferramentas do mercado, aprofundem-se no assunto e, se possível, procurem formações acadêmicas na área. Criem networking e façam muito benchmarking, principalmente com os gestores mais experientes e fornecedores que realmente são parceiros, que são referências na gestão de frota e que estão sempre à frente de painéis interessantíssimos. Para mim, isso só foi possível com a minha participação em eventos extremamente relevantes como os que a AIAFA proporciona. Por meio deles, consegui trazer ideias e soluções que foram implantadas e nos trouxeram muitos resultados significativos, tanto em segurança quanto em economia.

Fotos: Estúdio FCX/Joaquim Avelar

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