Nesta entrevista, Carlos Eduardo Tavares de Lima, diretor de Compras e Comercial da LM Mobilidade, analisa tendências da terceirização de frotas no Brasil

Terceirizar a gestão de frotas não significa abrir mão de autonomia. Se a proposta é bem estruturada, o que se ganha é eficiência, controle e foco no core business. Por isso, a locação é uma tendência que cresce no Brasil, segundo observa Carlos Eduardo Tavares de Lima, diretor de Compras e Comercial da LM Mobilidade. Para ele, é preciso disseminar mais as vantagens da modalidade.
Tavares está há quase sete anos no cargo na LM Mobilidade, que é hoje a terceira maior empresa de terceirização de frotas do Brasil. A locadora conta com 894 colaboradores e mais de 110 mil veículos na frota ativa, sendo 14% comerciais leves e 86% automóveis. Com sede na Bahia e unidades em Pernambuco, Ceará, São Paulo, Minas Gerais e Paraná, a companhia tem na presença regional um de seus grandes diferenciais.
De Salvador, onde fica a matriz da LM Mobilidade, Tavares explica à revista AIAFANews como a empresa tem avançado nas metas de descarbonização, analisa o modelo de assinaturas de veículos e dá dicas para quem deseja eletrificar a frota.
Com atuação em todo o Brasil, a LM oferece atendimento local e soluções regionais. Como a estrutura regional contribui para oferecer respostas ágeis e customizadas aos diferentes perfis de cliente?
A presença regional da LM Mobilidade é um dos nossos grandes diferenciais. Nossa matriz está localizada em Salvador (BA), mas contamos com filiais e escritórios operacionais nos Estados de Pernambuco, Ceará, São Paulo, Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul, estrutura que nos possibilita estar próximos dos clientes.
Além disso, temos uma ampla rede de parcerias com concessionárias em todo o País, o que nos permite disponibilizar veículos mesmo em locais onde não temos unidade física. Também realizamos o transporte de veículos para qualquer região do Brasil, garantindo cobertura nacional com agilidade e eficiência. Essa capilaridade operacional, aliada ao atendimento consultivo, assegura que nossos clientes tenham soluções sob medida para seus desafios de mobilidade.
“Empresas de diferentes portes estão reconhecendo os benefícios da terceirização: previsibilidade de custos, gestão profissional e foco no core business”
Como a LM Frotas, divisão especializada em gestão e terceirização de frotas, se situa hoje no mercado de terceirização de frotas?
Somos hoje a terceira maior empresa de terceirização de frotas do Brasil, com mais de 110 mil veículos em frota ativa. Essa posição de destaque é resultado de uma trajetória de quase 50 anos dedicados a oferecer soluções sob medida, com excelência operacional, proximidade com o cliente e inovação constante.
Em 2021, passamos a fazer parte do Grupo da Volkswagen Financial Services Brasil, o que ampliou significativamente nossa capacidade de investimento, inovação e escala, união que a cada dia fortalece ainda mais nossa presença e expansão no mercado nacional.
Como o senhor disse, a LM Frotas formou uma joint venture com a Volkswagen Financial Services. A empresa tem observado mais migração de frota própria para locação?
Sim. A tendência de migração da frota própria para locação vem crescendo de forma consistente, e a parceria com a Volkswagen Financial Services Brasil reforçou ainda mais essa movimentação. Combinamos a experiência operacional da LM com a solidez do Grupo Volkswagen, o que tem transmitido ainda mais segurança ao mercado. Empresas de diferentes portes estão reconhecendo os benefícios da terceirização: previsibilidade de custos, gestão profissional e foco no core business.
Atualmente, quais marcas e modelos de veículo os clientes mais solicitam para frotas corporativas? Trabalham com quais marcas?
Somos uma empresa multimarcas e atuamos com as principais montadoras do mercado, o que nos garante flexibilidade para atender diferentes perfis de clientes e necessidades operacionais.
Entre os veículos leves, os modelos mais procurados são aqueles com bom custo-benefício, baixo consumo e manutenção simplificada. Além disso, por sermos uma empresa do Grupo Volkswagen, muitos clientes tendem a priorizar os modelos da marca, reconhecendo sua confiabilidade e desempenho.
No segmento de pesados, nos destacamos por oferecer soluções completas e personalizadas para a necessidade da operação de cada cliente. Dispomos de uma robusta frota de caminhões da Volkswagen, muitos deles implementados com equipamentos específicos para atender diferentes setores e aplicações.
“Nossa atuação busca impactar positivamente e estimular uma cadeia mais consciente e alinhada aos princípios de sustentabilidade”
A LM oferece um checklist digital para frotas. Qual o benefício desse serviço?
Oferecemos um checklist digital que é realizado tanto na retirada quanto na devolução final do veículo. Esse processo permite registrar as condições do veículo de forma prática e transparente, garantindo maior controle e segurança para os gestores e motoristas durante todo o período de uso da frota.
Que tipos de soluções os clientes corporativos mais demandam?
As demandas dos clientes são diversificadas, mas se destacam principalmente a terceirização completa com manutenção preventiva, gestão de multas, rastreamento e apoio operacional regionalizado. Além disso, cresce a busca por soluções de mobilidade por assinatura, bem como por veículos híbridos e elétricos, alinhados às tendências de sustentabilidade.
O relatório de 2024 indica que as assinaturas de veículos leves e pesados já correspondem a 16,8% da frota ativa e 18,5% do faturamento da LM Mobilidade. Quais segmentos de clientes ou setores estão sendo mais receptivos à assinatura versus terceirização tradicional?
O modelo de assinatura tem se mostrado especialmente atrativo para o segmento B2C, pessoas físicas que enxergam que ter a posse de um veículo implica em uma gestão complexa de custos e atenção, como pagamento de IPVA, seguro, manutenção e depreciação. Na terceirização de frotas, temos as empresas como principais clientes que buscam eficiência e economia na gestão de frotas. A previsibilidade de custos, a possibilidade de renovar a frota com mais frequência e a eliminação da responsabilidade com depreciação e revenda tornam esse formato muito vantajoso, principalmente em operações que exigem agilidade e menor carga administrativa.

Também no relatório de 2024, vocês destacam a agenda ESG com a ampliação em 43% no uso de etanol na frota. Pode nos explicar esta e outras medidas a LM tem adotado para uma mobilidade cada vez mais sustentável?
A LM Mobilidade tem avançado de forma consistente rumo à descarbonização. Pelo segundo ano consecutivo, fomos reconhecidos com o Selo Ouro do GHG Protocol nos escopos 1 e 2, a mais alta qualificação do programa, vinculado à Fundação Getúlio Vargas no Brasil. Isso reforça nosso compromisso em medir, reportar e reduzir emissões com transparência, seguindo as melhores práticas internacionais.
Nosso plano de descarbonização prevê alcançar a neutralidade de carbono nos escopos 1 e 2 até 2030, e no escopo 3 até 2050 – metas que refletem nosso compromisso com uma mobilidade mais limpa e responsável. Nossa atuação busca repercutir e impactar positivamente nossos parceiros e clientes, estimulando uma cadeia mais consciente e alinhada aos princípios de sustentabilidade.
“O setor terá de lidar com a expansão da agenda ESG e a adaptação a novos modelos de mobilidade, como a assinatura e a eletrificação”
Quais as vantagens de ter veículos elétricos na frota? Que dicas o senhor daria para o gestor que deseja eletrificar a frota?
Os veículos elétricos representam uma alternativa importante para empresas que buscam alinhar suas operações aos princípios da energia renovável e da mobilidade sustentável. Embora esse ainda seja um mercado em fase de amadurecimento no Brasil, reconhecemos o potencial da eletrificação como uma tendência futura, especialmente em frotas com uso urbano e rotas definidas.
Na LM, trabalhamos com veículos elétricos sob demanda, avaliando a viabilidade conforme o perfil e os objetivos do cliente. Entre as vantagens estão a redução de emissões, baixo custo de manutenção e imagem positiva associada à responsabilidade ambiental. Para quem considera essa transição, a dica é avaliar bem a infraestrutura de recarga disponível, o tipo de operação e a viabilidade econômica no médio e longo prazo.
Analisando o contexto nacional, quais serão os maiores desafios do setor de terceirização de frotas em 2026?
Entre os principais desafios do setor estão a pressão por eficiência operacional, a necessidade de redução de custos e a aceleração da digitalização dos processos. Essa digitalização abrange desde vistorias digitais, uso de dados em tempo real e automação de rotinas administrativas.
Além disso, o setor terá de lidar com a expansão da agenda ESG, a crescente demanda por soluções mais sustentáveis e a adaptação a novos modelos de mobilidade, como a assinatura e a eletrificação. As empresas que conseguirem equilibrar inovação, agilidade e controle de custos estarão mais preparadas para se destacar nesse cenário.
Na sua opinião, o que falta para a terceirização de frotas crescer ainda mais no Brasil?
Ainda enfrentamos alguns mitos sobre terceirização, principalmente em empresas que enxergam a frota como patrimônio. Falta também mais disseminação de informação sobre os benefícios econômicos e operacionais do modelo, fazendo com que as empresas deem foco no seu negócio principal. Quando os gestores entendem que terceirizar é sinônimo de eficiência e controle – e não de perda de autonomia –, a adesão acontece de forma natural. A educação do mercado é chave para esse avanço.
Fotos: Ricardo Prado

